domingo, 15 de maio de 2011

Fava Neves: Leite Lopes poderia atender 15 milhões de pessoas. - www.epribeirao.com.br

Para o professor de economia da USP de Ribeirão Preto, expansão do agronegócio depende de internacionalização do aeroporto de Ribeirão.

Ribeirão Preto é um reconhecido pólo de agronegócios. As usinas, as lavouras e as indústrias, no entanto, se encontram no seu entorno. Apesar de não ser referência nesses itens, a cidade conseguiu catalisar o centro dos interesses da região através de uma crescente rede de serviços e de comércio.
O EP Ribeirão convidou o economista Marcos Fava Neves para discutir os desafios do desenvolvimento econômico local e regional. Nesse contexto, o professor da FEA (Faculdade de Economia e Administração), da USP Ribeirão, discorreu sobre a cadeia produtiva do etanol e de suas implicações no mercado externo.
Passam por esse processo, segundo Fava Neves, a internacionalização do Aeroporto Leite Lopes, o investimento em novas tecnologias e em qualificação. “Aqui caberia um aeroporto com capacidade para atender 15 milhões de pessoas”, afirmou.
O professor analisa que não há mais espaço na região para a instalação de novas usinas e o momento é da expansão sucroalcooleira em outras regiões. “Temos que ser generosos e deixar que outras partes do Brasil aproveitem do beneficio de terem um parque industrial ao lado”, disse.
Fava Neves também falou sobre as áreas em que Ribeirão pode investir para atrair mais capital, sobretudo em indústrias de alta especificidade, além de comentar sobre o futuro do mercado imobiliário, cujos investimentos e empregos, em sua visão, devem se concentrar nos empreendimentos populares.
Desenvolvimento econômicoEm vez da indústria, a cidade calcou seu crescimento na expansão da oferta de serviços e do comércio, que hoje representam 81% do PIB local – dados do IBGE. Esse item, segundo Fava Neves, aliado à oferta de ensino superior e de serviços na área da saúde, é primordial para o desenvolvimento de Ribeirão. “Nós somos exportadores de produtos produzidos na região de Ribeirão Preto e a riqueza é gasta em Ribeirão Preto”, disse.
Dependência regional
Sertãozinho produz etanol e é referência na metalurgia. Franca é referência nacional na produção de calçados. Ribeirão Preto depende do sucesso dessas e de outras economias locais para continuar a se estabelecer como centro de negócios e de serviços. Marcos Fava considera a posição difícil de ser equiparada, mas faz uma ressalva. “A nossa ameaça principal é a veia irrigadora do dinheiro secar, que é o agronegócio. Uma cidade fechada em si só vai definhando.”
Mercado imobiliário
Ribeirão Preto ainda vive os vestígios do chamado boom imobiliário, o que repercutiu em alta geração de empregos na construção civil. Mas o cenário já não parece tão próspero como antes. Grandes grupos como a Gafisa registraram queda de 79% nos lucros no primeiro trimestre deste ano. Para o professor da USP, sobram investidores e faltam moradores em Ribeirão, o que tende a reduzir o número de empreendimentos de luxo na cidade. Por outro lado, os imóveis populares devem convergir o maior número de negócios nos próximos meses.
Migração da mão-de-obra
O sucesso do setor de construção civil representou a melhora no padrão de vida de muita gente, na visão de Fava Neves. A alta demanda de profissionais em construções fez com que lavradores deixassem o campo para tentarem a vida em meio às grandes construções. “Corte de cana tem que acabar, tem data para acabar. A pessoa tem pouco aprendizado.”
Infraestrutura
O que a fazenda consegue aprimorar em tecnologia a infraestrutura do Estado atrapalha, segundo o economista da USP. Marcos Fava Neves coloca as rodovias brasileiras como um entrave para preços mais competitivos. Também falou sobre a importância da internacionalização do Aeroporto Leite Lopes nesse processo. Segundo ele, a unidade tem potencial para atender mais de 15 milhões de pessoas em toda a região.


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